12 de jul. de 2012

18 de março

Foram todas as tardes até você voltar. Eu colecionava os selos das cartas dentro daquela caixa em que guardava nossas fotos. Foi estranho quando você me disse que teria que ir. Eu não acreditava que o amor e saudade pudessem machucar tanto, até que experimentei. Todas as minhas façanhas pra esconder que eu estava sofrendo não me ajudavam, eu estava vulnerável, fraca e as pessoas perceberam. A dama de ferro não era mais dama de nada e nem de ninguém. Estar sozinha não parecia ser algo tão difícil, até eu ter que viver cada momento daquela solidão infinita.

As amigas, a música alta, o cigarro - desculpa, eu tinha que me virar - nada, nada me fazia esquecer a nossa noite de promessas e planos mirabolantes. Muito bem bolados, inclusive. Nossas alianças feita com pedaços da sua camisa de banda, o meu buquê feito de escovas de cabelo... Parecia tão presente, eu parecia sempre estar vivendo aquilo novamente, a cada carta, a cada ligação, a cada música nova no rádio. Você bem que podia ter jogados os vídeos fora, eles deixavam tudo ainda mais difícil.

Dançar na frente do espelho e imitar você pra minha própria imagem virou rotina. Eu parecia meio louca, parecia meio apaixonada demais. Mas assim mesmo que eu me sentia. Mas como pude, como eu? Passei a deixar essas perguntas pra lá e me entreguei. É, eu me deixei totalmente presa ao que o futuro e a nossa distância traziam pra mim. Pegava o carro e ficava fingindo ir te encontrar, usando a aliança, cantando bem alto e com as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Que boba. Eu sempre dirigia de volta pra casa, o meu medo era maior do que a minha saudade. O medo da sua vida nova, das pessoas que você conheceu, das suas novas camisas de banda. Eu tinha medo de uma garota mais madura e decidida do que eu roubar a sua atenção, eu tinha medo de ela saber o outro idioma que você tanto tentou me ensinar e eu nem dei bola.

Medo de você ter mudado o cabelo e ter mudado tudo, até o seu sotaque, sei lá... Medo de você não estar guardando as suas cartas, de não estar colecionando os selos dentro da sua caixa de fotos.

Até que você me ligou no dia 18 de março. Eu estava sentada naquela cadeira de balanço da minha casa, lendo algum livro de poesias - é, eu nunca fui tão romântica -, parecia cena de algum filme com mocinhas abandonadas por um malfeitor. Desses que roubam toda a inocência delas e vão embora, sabe? Foi engraçado. Eu levantei correndo e te chamei pela primeira letra do nome. Na verdade, não me lembro muito bem da nossa conversa, só me lembro da parte mais incrível dos últimos 2 anos: você voltaria. Você voltaria pra cidade, para aquele barzinho às quintas-feiras e pra mim, pro meu lado. Parecia coisa de outro mundo, mas não, era o meu mundo ficando completo novamente.

Sabe, eu duvidava que isso funcionaria. Eu não acreditava em pessoas que continuam se amando a milhares e milhares de quilômetros. Mas aconteceu comigo e no final deu tudo certo. O meu final está sendo todo o meu futuro, que com certeza será lindo, será mágico. Agora precisamos de alianças novas, a minha já está velha e perdendo a cor. Ainda bem você não desistiu e cumpriu todas as suas promessas.


Ainda bem que você voltou. Só me promete que dessa vez é pra ficar.


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